quinta-feira, 30 de abril de 2009

Questões étnico raciais

A Princesa Isabel, no dia 13 de abril de 1888, entregou os pontos. Não havia mais saída para uma economia baseada na escravidão. As pressões externas, a fuga em massa de escravos, a revolta do exército em continuar sendo usado como força para capturá-los, bem como movimentos abolicionistas que começavam a tornar o império ingovernável, fizeram-na capitular. Sem saída, ela assinou a Lei Áurea, mesmo na ausência do pai, o imperador D.Pedro II, que viajava pela Europa. Seu gesto acabava com a escravidão, iniciada pelos portugueses em 1552 e que havia trazido ao Brasil 4 milhões de africanos em três séculos e meio. Era o fim de um dos maiores dramas da história brasileira e o começo de outro. A Abolição da escravatura lançou metade dos brasileiros no limbo da exclusão social, na vala comum do preconceito e na dura realidade da cidadania de segunda. Abril de 2009, 121 anos se passou e a percepção de que não há muito para

Pedro Homero, artista plástico, músico, religioso cultor dos orixás
comemorar..



SER NEGRO



O que significa ser negro em um país como o Brasil?
Dizem alguns que é o mesmo que ser branco pobre.
Dizem outros que o melhor é não ser,
E por isso dizem-se de vários nomes:
Cidadão de cor, marrom bombom, escurinho, moreninho, jambo, mulato,
Pretinho, neguinho, da cor, muita tinta, pouca tinta, preto, marrom, moreno escuro,
Crioulo, negão...negro.
A cor do pecado. Você sabia?
Pois é. Ser negro é pesadelo e fantasia.
Dizem os pesquisadores que são mais de cem nomes.
Para muitos identificar um negro no Brasil é muito difícil, já que somos um povo mestiço.
Para outros, isso não importa, já que somos todos filhos de Deus.
Para outros, os negros são as mulheres do mundo.
Para nós outros, ser negro é ser o boi da cara preta sem nunca ter sido.
É ser o velho do saco que pega criança,
É ser o suspeito e a ameaça desempregada,
É ser o avião da desesperança.
E, ironicamente, a infância abandonada.
Ser negro é ter uma identidade mundial desfeita em cores.
Ser o rei do futebol, saber cantar, compor, dançar, sorrir, miseravelmente, sem dentes, sem bola, sem escola, sem palco. Capoeirando sempre.
Ser negro é ter história, memória, um modo de ver, sentir e viver o mundo.
Ser negro é lutar e festejar a liberdade, aquilombar-se sempre diante da opressão, da desigualdade, do cinismo, do racismo.
Ser negro no Brasil, ou em qualquer lugar é sangue, suor e sorriso.
Sumos e sensações que nos forjam e fortalecem, fazem-nos ser o que somos.
Filhos do Sol, quizumbeiros, religiosos, festeiros,
Dignos herdeiros da força vital que recria, na dimensão da palavra escrita, o que é
ser negro nos dias de hoje e em todos os dias.
Ser negro tornar-se identidade e fazermo-nos poesia.


Poesia extraída do livro ANTOLOGIA DA POESIA NEGRA BRASILEIRA
O NEGRO EM VERSOS

Um comentário:

Luciane Machado disse...

Querida Vera, ser negro no Brasil é uma luta constante, eu é quem diga, mas estamos conquistando nosso espaço, um espaço por muitos anos esquecidos, negados.Bjs.