quarta-feira, 28 de novembro de 2007

UMA AULA DIFERENTE

Uma aula diferente

O dia 11 de outubro foi muito especial na minha sala de aula. Eu tinha um objetivo: pesquisar os tipos de músicas que meus alunos apreciavam e para minha surpresa surgiram outros assuntos muito interessantes que tentarei relatar.
A minha turma é composta de adultos entre 18e 85 anos ( o mais novo não estava neste dia ). Comecei a aula pedindo que abrissem “ as gavetas das lembranças para tirar o pó “ e que me contassem algo sobre suas vidas , suas infâncias, ...algo que lembrassem e que se tornou importante.
As mulheres comentaram que vestiam roupas de tecidos com estampa xadrez e risca de giz ( roupas de festa ). Usavam pijamas de pelúcia ( casaco e calça) geralmente costurados à mão ou com máquinas de costura manuais; vestidos sobrepostos a calças compridas ( elas detestavam usar esse tipo); roupas íntimas eram feitas de saco de açúcar e farinha , tingidos na cor desejada ( ceroulas, calcinhas e “ corpinho “ ). Para se maquiarem usavam um papel colorido que misturado na água dava cor aos lábios e à face ( baton e rouge )
Segundo o grupo os colchões eram de palha , as cobertas de pano, ou as mais leves que eram feitas de penas de pato ou ganso, bem como travesseiros. Palha de milho e cinzas do fogão à lenha eram usadas para arear panelas e também limpar o chão ( e ficava bem limpinho ! ). Sabão era feito de resíduos de porco e servia para uso geral. Não havia eletricidade, apenas lampião à querosene ( o que os fazia despertar com os narizes pretos pela fumaça inalada durante a noite). Havia louça de barro e em muitas casas não tinha armários nem roupeiros., tudo era pendurado;vassouras eram feitas de mato.
Lembraram-se das alpargatas, das congas , das marias-moles e dos intermináveis e barulhentos tamancos, muito usado por eles.
Quanto às brincadeiras foram citadas pelas mulheres as bonecas de pano, apesar que na falta destas, abóbora de pescoço e sabugo de milho também serviam, as barbas do milho eram os cabelos para essas bonecas. Na falta de outro espaço até chiqueiro de porco era lugar para brincar de casinha. Não havia banheiras e os banhos eram tomados no rio ou em enormes gamelas .Brincavam de ‘ pega-pega “, “ passa-passará “ , “esconde-esconde “, ‘ ovo-choco”( ou ovo-podre ), “ cinco Marias “ e “ roda cotia “
Os homens lembraram-se da “ funda “ ( estilingue), das bolinhas de gude , das brincadeiras de balanço nos cipós trançados e escorregador com folhas secas de coqueiro. Carrinhos e caminhões, bem como, carrinhos de lomba eram todos feitos de madeira .
Como alguns são de origem alemã comentaram muito sobre a produção de queijo consequentemente kashmier e poína,
Como não havia eletricidade pouco lembram de músicas na infância , apenas quando saíram do interior e vieram para São Leopoldo conheceram rádio e televisão.
Falaram com saudades do Chacrinha e do Sítio do Pica-pau Amarelo ( 1ª versão). Uma aluna comentou que não assiste mais os filmes de “ bangue-bangue “ da época, outro citou a velha vitrola onde ele ouvia suas músicas sertanejas.
Em relação à musica foram citados Teixerinha , Gildo de Freitas, Zico e Zeca, José Mendes, Tonico e Tinoco, Os Montanari, Nelson e Janete e também Amado Batista e Odair José.A Rádio Difusora era muito ouvida e o Programa Rodeio Coringa, que tocava músicas sertanejas também.
Prevaleceu o gosto por bandinhas alemãs e músicas sertanejas: “ Coração de Luto “, “Me chamam de grosso”, “ Cobra sucuri “, Índia “, ” Abre a janela “ e “ Maria Izabel “ foram algumas lembradas.

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